Ela necrosa os tecidos da face, atingindo nariz, olhos e podendo invadir o cérebro. / Reprodução/Internet/Stockpexel – Shutterstock
Continua depois da publicidade
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP está investigando um caso de mucormicose — a temida doença conhecida popularmente como “fungo negro” — em um paciente com Covid-19.
ALERTA
Continua depois da publicidade
O surgimento do “fungo negro” associado à Covid-19 na Índia acendeu o sinal de alerta no mundo. Mais de 9 mil doentes infectados pelo novo coronavírus tiveram a doença. No Brasil, outros dois casos são investigados, em Santa Catarina e em Manaus. O Ministério da Saúde já está acompanhando o estudo em SP.
ALERTA 2
Continua depois da publicidade
A doença, no Brasil, é extremamente rara — mas fulminante e fatal. Ela necrosa os tecidos da face, atingindo nariz, olhos e podendo invadir o cérebro. “O fungo se multiplica e invade os vasos sanguíneos”, afirma o médico Marcello Mihailenko Chaves, da clínica de moléstias infecciosas e parasitárias do HC. A região escurece —daí a doença ser chamada popularmente de ‘fungo negro’, nome que não é adotado pela ciência.
ALERTA 3
Para evitar o óbito, os médicos têm que realizar complexas cirurgias que muitas vezes implicam na retirada dos olhos e até mesmo de um pedaço do cérebro. A pessoa fica mutilada. Cerca de 50% não resistem e morrem.
Continua depois da publicidade
PERFIL
O paciente brasileiro agora em estudo no HC é jovem (tem menos de 40 anos), teve um quadro moderado de Covid-19 e não apresenta as comorbidades associadas ao “fungo negro”.
PERFIL 2
Continua depois da publicidade
O diabetes é uma das condições associadas à doença. Ela aumenta a glicose e favorece a proliferação do fungo. Pacientes com transplante de medula óssea e com doenças onco-hematológicas também estariam predispostos.
PERFIL 3
No caso de doentes com quadros graves de Covid-19, a hipótese é de que vários fatores podem contribuir para a proliferação do fungo, segundo Mihailenko Chaves. O uso de corticoides, por exemplo, aumenta a glicose. A contração dos vasos sanguíneos (vasoconstrição) pode levar à acidose (quando o sangue fica mais ácido). E a Covid-19 pode gerar uma inflamação exuberante. As três condições, combinadas, facilitariam o surgimento da mucormicose.
Continua depois da publicidade