O escritor santista e professor de Direitos Humanos, Leonardo de Moraes / Divulgação
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Tia Beth, mãe sobrevivente da ditadura militar brasileira, é a personagem que dá nome ao romance do escritor santista e professor de Direitos Humanos, Leonardo de Moraes. Solitária e distante dos membros da família, ninguém fala que o único filho dela desapareceu durante o regime. Este silêncio atravessa gerações, até que ela decide contar sua história para um sobrinho-neto com objetivo de registrar as memórias da época em um livro.
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Assim, o jovem Leonardo conhece o contexto social, histórico e político do país a partir dos relatos de uma mulher que vivenciou os principais momentos do Brasil no último século. Ao mesmo tempo que imerge no passado, esse contato auxilia o garoto a lidar com os próprios conflitos pessoais e a fortalecer elos familiares. Com uma narrativa fluida composta por capítulos curtos, que equilibram diálogos, reflexões internas, cartas íntimas e textos de diários, o autor expõe lutos, dores e traumas causados durante a ditadura.
Ao abordar experiências pessoais, Beth explica como o conservadorismo e os preconceitos sociais afetaram suas escolhas. Entretanto, ela também percorre períodos marcantes para a população, como a Segunda Guerra Mundial; a criação de campos de concentração para imigrantes japoneses, italianos e alemães; a alienação política; a efervescência cultural dos anos 1960; e a resistência dos artistas contra o regime militar.
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Todas essas questões são narradas por meio da perspectiva de uma mulher de família rica, que não se percebia como politicamente engajada. O autor comenta: "a obra trata sobre os pensamentos de uma mãe, que não consegue entender em que momento as pessoas passam a odiar umas às outras e o que há de tão errado com a sociedade para vivermos movimentos cíclicos de violência".