O dia serve como uma homenagem ao país europeu, seus cidadãos, à cultura lusófona e à presença portuguesa em todo o mundo / Nair Bueno/Diário do Litoral
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Nesta segunda-feira (10) é celebrado o Dia de Portugal, de Luís de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em Santos, que abriga a maior comunidade portuguesa per capita do Brasil, as comemorações começaram no último sábado (8).
O dia serve como uma homenagem ao país europeu, seus cidadãos, à cultura lusófona e à presença portuguesa em todo o mundo. Maior escritor em Língua Portuguesa e todos os tempos, Luís de Camões morreu em 10 de junho de 1580, data que serve como reencontro das raízes e da lembrança com orgulho de um de seus maiores personagens.
O primeiro registro histórico da celebração é de 1880, trezentos anos após a morte do poeta. Na ocasião, o Rei D. Luís declarava o “ Dia de Festa Nacional e de Grande Gala” em virtude dos três séculos sem a poesia renascentista do autor.
Com a implantação do Estado Novo, o feriado se tornou de fato nacional. Apenas em 1978, a comemoração leva o nome que tem até os dias atuais.
O Centro Cultural Português é resultado da fusão entre o Centro Português de Santos, fundado e a Sociedade União Portuguesa.
Originalmente denominada Real Centro Português, a associação foi fundada em 1º de dezembro de 1895, durante cerimônia realizada no Teatro Guarany. Seu propósito era oferecer atividades educativas, literárias, recreativas e sociais para os imigrantes portugueses na Cidade.
A sede do centro foi edificada entre 1898 e 1901, conforme projeto dos engenheiros portugueses Ernesto Maia e João Esteves Ribeiro da Silva, que conceberam o edifício em Portugal.
O estilo escolhido foi o Neomanuelino, que recria a arquitetura predominante em Portugal durante a Era dos Descobrimentos. Isso se reflete na decoração externa do edifício, com elementos característicos da arquitetura das colônias então recém descobertas após o período das Grandes Navegações.
O salão nobre, no interior do Centro Português, se destaca, apresentando pinturas com temática camoniana inspiradas em “Os Lusíadas”, realizadas pelo pintor espanhol A. Fernández.
O Centro Português fica na Rua Amador Bueno, 188, esquina com a Rua Martim Afonso, no Centro. O acervo e os ambientes internos do edifício podem ser visitados de segunda a sexta-feira, das 9 às 12:30, e das 13:30 às 18 horas. Aos sábados, as visitas guiadas acontecem das 9 às 12 horas. Grupos com mais de dez pessoas deverão agendar horário previamente nos canais de comunicação do Centro Cultural Português.
Além do Centro Português, a colônia contribuiu com a Cidade na construção e manutenção do Hospital Beneficência Portuguesa e também tem as digitais impressas na vida esportiva de Santos através da Associação Atlética Portuguesa.
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“Ao nosso Portugal (que agora vemos tão diferente de seu ser primeiro), os vossos deram honra e liberdade”. Foi devido a essa mistura de qualidades, que Luís de Camões entrou para a história de seu país, da literatura e do mundo.
Camões foi um poeta, dramaturgo e um soldado português, considerado o maior nome do período Classicista da literatura mundial.
Mas, sua genialidade persiste até hoje na obra de artistas influenciados pelo português, como Renato Russo, da Banda Legião Urbana, que se rendeu ao verso: “Amor é fogo que arde sem se ver. É ferida que dói e não se sente”, em uma de suas canções.
O português é autor da obra “Os Lusíadas”, que conta a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama como foco principal, além de outros episódios de glória de Portugal.
E deixou pérolas escritas como “o fraco rei faz fraca a forte gente” ou “é fraqueza entre ovelhas ser leão”, ou, ainda, “pouco sabe da tristeza quem, sem remédio para ela, diz ao triste que se alegre”.
Apesar da falta de precisão em alguns dados históricos sobre sua vida, existem pontos em que existe um grande consenso. Nascido em Lisboa, Luís de Camões frequentou a Universidade de Coimbra. Como membro da força bélica portuguesa, ele perdeu um olho durante um combate no Marrocos.
Além da grande habilidade na parte escrita, Camões era conhecido pelo seu jeito de viajante e inquieto, qualidade que o fez viajar pelo mundo.