Política
Responsável pela UME Luiz Pieruzzi Netto seria homenageada pelo Legislativo, mas acabou sendo alvo de uma denúncia sobre prática de capacitismo em sua escola; requerimento para instauração de comissão foi rejeitado e sessão foi obstruída
Falta de consenso provoca encerramento de Sessão ordinária / Leonardo Cruz/CMC
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O que era para ser uma tarde de homenagens a servidores da rede municipal de ensino de Cubatão acabou se tornando um show de horrores na sessão da Câmara. Motivo? Falta de comunicação. Tanta confusão acabou causando a obstrução da 42ª sessão ordinária do Legislativo por falta de quórum.
A diretora da UME Luiz Pieruzzi Netto, Claudia Scaraboto, que representava a escola que seria homenageada com uma moção de aplauso proposta pela vereador Tinho, acabou surpreendida com o requerimento do vereador Anderson De Lana pedindo a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para averiguar denúncias da prática de capacitismo por parte da profissional. A moção de Tinho seria uma homenagem aos alunos das UMEs Pieruzzi e João Ramalho pela participação no II Concurso de Bandas e Fanfarras.
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A sessão não conseguiu continuar normalmente após a leitura do requerimento. Claudia tentou o pedido de fala na sessão para se defender. Segundo o requerimento de Anderson, a diretora teria falado de forma errônea com um aluno diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A denúncia partiu da mãe do estudante.
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A apresentação do requerimento acabou alterando os ânimos dos vereadores e dos munícipes que estavam presentes. “Por que não denuncia sobre a falta de cuidadores, vereador?”, questionou Maikon Rodrigues, tesoureiro do Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão. A mesa diretora acabou pedindo a suspensão da sessão por 5 minutos.
Entre os convidados da homenageada ficou o suspense. Uns ameaçavam ir embora, a diretora pedia explicação e tentava entender, e outros aguardavam para ver qual seria a decisão do Legislativo. “Eu só disse para a mãe que o filho dela era totalmente capaz”, contava a um colega de trabalho.
Ao retornarem ao plenário, improvisado no auditório no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) enquanto a Câmara está em reforma, os vereadores rejeitaram o requerimento proposto por De Lana. E os ânimos voltaram a se exaltar. O vereador foi tirar satisfação com o sindicalista, enquanto o colega Tinho tentava se desculpar com os homenageados de sua moção.
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Por falta de consenso entre os parlamentares, as bancadas do Republicanos, PSD E PSDB pediram a obstrução da sessão e, com isso, os trabalhos legislativos foram encerrados. Com a confusão, parte dos vereadores se retiraram e o presidente da Casa, vereador Cléber do Cavaco, encerrou a sessão por falta de quórum.
“É uma vergonha”, gritavam os munícipes que foram acompanhar as homenagens que seriam propostas nesta terça-feira. Incluindo a homenagem à professora Luciana Avelino Ramos, personagem de reportagem do Diário do Litoral, que seria alvo de uma moção de aplausos proposta pelo vereador Guilherme do Salão (PROS). A propositura não chegou a ser apresentada.
Os dois lados
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A diretora Claudia Scaraboto optou por não falar com a reportagem do Diário do Litoral. Maikon Rodrigues, membro do Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão, explicou a situação. “Viemos acompanhar uma homenagem e recebemos isso. A diretora foi hostilizada. Este vereador nunca participou das nossas reuniões que tratam sobre inclusão. Esta mãe não denunciou nos canais que deveria. Não poderia ter acontecido desta forma”, reclama.
O vereador Anderson De Lana também explicou seu lado. “Eu recebi a reclamação de uma munícipe e o que esta Casa fez hoje foi calar uma voz. A instauração de uma CEI não define culpados, mas sim serve para apurar os dois lados da história. Esta era a intenção do projeto”. Questionado pela reportagem do Diário do Litoral se ele não tinha conhecimento da homenagem que a professora receberia, De Lana negou. “Eu não sabia”, finaliza.