Polícia
Durante a ação, também foram presos o vereador de Cubatão Ricardo Queixão e a servidora pública da Cidade, Fabiana de Abreu Silva
Áureo Tupinambá atua como diretor da Câmara de Cubatão e Ricardo Queixão já foi presidente da Câmara / Reprodução/Instagram
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O advogado criminalista Aureo Tupinamba, que foi preso durante Operação do Gaeco na manhã desta terça-feira (16), já atuou na defesa do traficante de drogas André do Rap, apontado como um dos chefes do PCC e condenado a 25 anos por tráfico internacional de drogas. Ele está foragido e é procurado, inclusive, pela Interpol.
Mesmo assim, durante coletiva, o Ministério Público e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) esclareceu que a prisão de Áureo está relacionada ao seu trabalho como servidor da Câmara Municipal de Cubatão e não como advogado.
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Segundo a defesa de Tupinamba, o advogado está tranquilo e garantre que "não tem envolvimento com nenhuma atividade irregular, muito menos ilícita".
Cruz disse ainda que solicitou informações dos autos para demonstrar "a atipicidade da conduta" de Tupinamba, que está à disposição das autoridades para esclarecer o que for necessário.
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A Câmara Municipal de Cubatão emitiu nota sobre o caso. "Em atenção à Operação Muditia, a Câmara Municipal informa que tomou ciência da referida operação e que está colaborando com as equipes de investigação, fornecendo todos os documentos solicitados pelas autoridades".
A Prefeitura de Cubatão informou - também através de nota encaminhada à reportagem do Diário do Litoral - que não foi citada na investigação que apura eventuais irregularidades em contratos da Câmara Municipal da Cidade.
A defesa do vereador Ricardo Queixão informou que pedirá a revogação da prisão temporária já que o parlamentar apontado como averiguado e não como suspeito. A reportagem do DL não conseguiu contato com a defesa da servidora Fabiana de Abreu Silva.
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A Operação Muditia, deflagrada na manhã desta terça-feira (16), resultou na prisão do vereador de Cubatão, Ricardo Queixão (PSD), a servidora municipal Fabiana de Abreu Silva e o advogado Áureo Tubinambá, que também atual como diretor da Câmara Municipal. Os mandados foram cumpridos em diversas cidades do Estado. Na Baixada Santista, as equipes passaram também por Santos e Praia Grande.
O objetivo da operação, comandada pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e a Polícia Militar, é desarticular um grupo criminoso, associado ao PCC, investigado por inúmeras fraudes em licitações em todo o Estado.
As equipes estão dando cumprimento a mandados de busca e apreensão em 42 endereços e a 15 de prisão temporária, todos expedidos pela 5ª Vara Criminal de Guarulhos. As ordens judiciais incluem prisão cautelar de agentes públicos, três deles vereadores de cidades do Alto Tietê e litoral.
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Segundo a investigação, empresas atuavam de forma recorrente para frustrar a competição nos processos de contratação de mão de obra terceirizada no Estado, notadamente em diversas prefeituras e Câmaras Municipais. Guarulhos, São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Cubatão, Arujá, Santa Isabel, Poá, Jaguariúna, Guarujá, Sorocaba, Buri, Itatiba e outros municípios têm contratos sob análise.
De acordo com o promotores, havia simulação de concorrência com empresas parceiras ou de um mesmo grupo econômico. Também há indicativos da corrupção sistemática de agentes públicos e políticos (secretários, procuradores, presidentes de Câmara de Vereadores, pregoeiros etc.) e diversos outros delitos – como fraudes documentais e lavagem de dinheiro. As empresas do grupo têm contratos públicos que somam mais de R$ 200 milhões nos últimos anos. Alguns deles atendiam a interesse do PCC, que tinha influência na escolha dos ganhadores de licitações e reparte os valores ilicitamente auferidos.
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