Há milhares de vítimas no Estado de SP e prejuízos se aproximam de R$ 1 bilhão / Divulgação
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O inquérito da Polícia Civil em Santos que investiga os prejuízos sofridos por clientes de empresas nacionais em operações de arbitragem, compra e venda de moedas digitais identificou que as quantias depositadas nessas empresas foram transferidas a contas bancárias situadas fora do Brasil. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (22) pela assessoria de imprensa do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6) em resposta a um pedido de informações sobre o inquérito feito pelo Diário do Litoral.
"As pessoas que figuram como proprietárias nessas empresas estão sendo investigadas, assim como a participação de eventuais sócios ocultos", disse o Deinter-6. As investigações são conduzidas na 1ª Delegacia da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) da Baixada.
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No Estado de São Paulo, as milhares de vítimas de supostos golpes envolvendo negociação de criptmoedas podem ter amargado um prejuízo total p?óximo de R$ 1 bilhão e há diversos inquéritos em andamento.
Até fevereiro deste ano, cerca de 20 pessoas tinham registrado boletim de ocorrência na 1ª Delegacia (antiga de Delegacia de Investigações Gerais, DIG, de Santos) e as perdas se aproximavam de R$ 10 milhões. Estelionato e lavagem de dinheiro são crimes sob apuração no inquérito.
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Na Baixada, a grande parte das queixas se refere à empresa BWA, que teve sede no bairro da Aparecida, em Santos. A BWA é suspeita de montar um esquema de pirâmide, oferecendo remuneração das aplicações em criptomoedas com juros superiores aos de investimentos mais tradicionais. A Reportagem não conseguiu contato, por telefone, com a BWA.
O Diário do Litoral questionou o Deinter-6 sobre o número atual do total de vítimas na Baixada Santista, mas a informação não foi divulgada.
Tutela Antecipada
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Uma série da ações tramita no Poder Judiciário Estadual sobre os prejuízos causados por estas empresas.
O Diário do Litoral consultou uma decisão recente, de 20 de maio (quarta-feira), em que o juiz Paulo Sergio Mangerona, da 1ª Vara Cível de Santos, concedeu uma tutela provisória a um cliente da BWA que havia feito um investimento R$ 34.244,81 e determinou o arresto (apreensão judicial) dos ativos via Bacen Jud em nome da BWA Brasil Tecnologia Digital LTDA, da BW2EX Intermediação e Serviços Digitais LTDA e BWA BR Serviços Digitais LTDA (BWA). Há cinco réus nesta ação judicial.
"O mercado de criptomoedas ainda é nebuloso, enseja riscos sabidos, e aparentemente o que aconteceu no caso em tela foi o depósito em grupo sem solidez ou inidôneo que, travestida da promessa de aplicação rentável, simplesmente apropriou-se do dinheiro dos investidores. Delineia-se, enfim, possível golpe a recomendar pronta intervenção", fundamentou o magistrado.
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Mangerona salientou que o caso demanda contraditório, mas em um juízo de cautela - que por seu turno, na exata letra da norma, pressupõe juízo de probabilidade - é forçoso que "muito provavelmente o autor da ação tenha mesmo sido vítima de golpe ou, na melhor das hipóteses, de involuntária quebra dos operadores, por má gestão".
"Numa ou noutra hipótese, evidente que o vetor tempo prejudica apenas a parte autora, isto é, quanto mais tempo passar, mais difícil será de reverter a situação, caso ao final se confirme o que agora apenas se supõe. Não cabe, outrossim, que o ônus do tempo do processo fique nas mãos só da autora, a princípio vítima do que se engendrou", escreveu o juiz.
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