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Ler ou ouvir uma reclamação sobre o transporte público na região é comum, principalmente para quem precisa usar as linhas intermunicipais. É tão comum que muita gente desistiu de reclamar, até porque as reclamações são sempre as mesmas: atrasos, ônibus superlotados, problemas com os motoristas, falta de cobrador, pontos de ônibus que não são respeitados e tantas outras.
Esta repórter que escreve precisa usar o transporte público todos os dias para chegar à redação. Moro no Jardim Casqueiro, em Cubatão, e utilizo as linhas 918 (Santos/Ilha Caraguatá), 919 (Santos/Jardim Nova República) ou 938 (Vila Esperança/Santos/São Vicente). Geralmente, espero pelo transporte no cruzamento das ruas Maria Graziela e São Vicente, ponto de ônibus mais próximo da minha residência.
Muitas vezes, preciso caminhar até a Rua Nossa Senhora de Fátima, primeira rua do bairro, onde passa outras linhas intermunicipais que vem de outros bairros da Cidade. Por quê? Porque depois de mais de 30 minutos de espera (o que é pouco para quem está acostumado), eu desisto de esperar e corro para a segunda opção.
Mas a espera no ponto de ônibus está longe de ser o maior problemas das linhas intermunicipais. Eu, considerando reclamações que escuto diariamente, não sofro tanto para ir trabalhar, mas já sofri. Sofre mais quem precisa de ônibus em horário de pico. Entre as 6 e as 8 horas da manhã. O ônibus já sai cheio do ponto de partida, na Ilha Caraguatá, e antes de sair do bairro já está lotado. No Jardim Casqueiro, as pessoas já começam a se espremer. Na metade do trajeto no bairro, os pontos de ônibus começam a ser ignorados. Ou se o motorista para e abre as portas, você não vê espaço – nem nos degraus – para subir.
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E quem tem horário para chegar? Ou se arrisca e se aperta. Ou espera o próximo, que também virá cheio, mas talvez tenha um espaço. Quem já está dentro do ônibus, reza para não entrar mais ninguém. Sim, as pessoas têm medo. E se o ônibus quebra? E se alguém passar mal? E se acontece um acidente? E se esse ônibus vira?
Na volta do meu trabalho, eu sei o que é esperar por um ônibus com espaço, ou simplesmente esperar por um ônibus. Na última quarta-feira, dia 19, eu fiquei duas horas no ponto que fica na Rua Brás Cubas, no Centro de Santos. Cheguei ao ponto às 18h30. Já tinha uma pessoa no ponto esperando desde as 18 horas. Nenhuma das linhas intermunicipais que utilizo passou neste tempo. Eu, na minha inocência, pensei: “daqui a pouco passa”. 19 horas, nada. Às 19h30, passou a 918. Mas só passou. Ele não parou por estar lotado. 20 horas, nada. O ponto estava lotado. Todos esperando. Às 20h30, conseguimos pegar a 938. Ao questionar o motorista pela demora, ele responde:
“Estava muito trânsito durante a tarde, o ônibus estão muito atrasados”. O ônibus segue; também lotado. Esta situação, em época de safra ou não, é constante. Ônibus lotados que não param nos pontos de ônibus. Ônibus atrasados e muito tempo de espera. Isso porque nem vou falar de como é no fim de semana.
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Isto tudo somado a falta de segurança e de estrutura nos pontos de ônibus, a falta de paciência (e, em alguns casos, de educação) de alguns motoristas que trabalham em dupla-função e aturam muitas reclamações diariamente, a falta de manutenção e limpeza dos ônibus, o preço alto das passagens e a falta de consciência de muitos usuários, que não respeitam os lugares demarcados para idosos, mães com crianças no colo, gestantes e deficientes.
Diante destas situações, muitos usuários estão se endividando para comprar carros e motos, e se aventurando durante o trânsito intenso que se encontra em quase todas as rodovias da região. E quando alguns falam que a mobilidade urbana na região irá melhorar, muitos ficam esperançosos. Já quando outros falam da preservação do meio ambiente e abraçam a campanha “use ônibus, ande de bicicleta, deixe o carro em casa”, outros tantos se sentem incomodados, para não dizer, enganados.
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As responsáveis
Questionada pela Reportagem, a Empresa Metropolitana de Transporte Urbano de São Paulo (EMTU/SP) informa que a Baixada Santista é atendida por 520 ônibus distribuídos em 62 linhas, de cinco empresas prestadoras de serviço. Deste total 90%, ou 465 veículos contam com alguma acessibilidade para usuários com mobilidade reduzida.
Segundo a empresa, a frota da Baixada Santista é uma das mais novas do Estado com uma idade média de 2,6 anos. “Lembramos que a vida útil de um coletivo urbano gerenciado pela EMTU/SP é de 10 anos de uso”, informa.
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São transportados diariamente uma média de 218 mil passageiros ou 5,6 milhões por mês. Quanto ao número de passageiros por veículo, informamos que depende do tipo de ônibus em operação. A frota da Baixada Santista é composta por ônibus pequenos, médios, grandes e articulados. São utilizados os ônibus do tipo Comum para até 70 passageiros sentados e em pé; Padron para até 90 passageiros sentados e em pé; Articulados para até 120 passageiros sentados e em pé e os Bi Articulados com capacidade para até 180 passageiros sentados e em pé.
Fiscalização
A EMTU/SP respondeu também que realiza fiscalizações sistemáticas nas linhas de ônibus do transporte metropolitano para verificar o nível do serviço prestado pelas operadoras e na constatação de irregularidades como descumprimento da programação, problemas de conservação e limpeza dos ônibus, a empresa é autuada de acordo com a legislação em vigor.
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A capacidade de transporte dos ônibus também é observada nas vistorias e, se necessário, a linha é reprogramada para atender adequadamente o número de passageiros, que pode variar em função de novos polos geradores de demanda. Por conta de novos pontos de atração de usuários, a EMTU/SP cria novos serviços, reprograma as partidas das linhas, com acréscimo ou não de ônibus, e modifica os itinerários. O contato com as operadoras é constante, sempre com o objetivo de aprimorar o serviço de transporte público à população.
Em outubro de 2013, por exemplo, na área continental de São Vicente foram adicionadas 80 viagens e a inclusão de mais seis ônibus, para atender as demandas das linhas 932, 940, 942, 942VPI, 943BL1, 947 e 948. Em setembro do mesmo ano, para atender ao aumento da demanda foram adicionados novos carros nas linhas seletivas em Santos e em São Vicente.
Em maio do ano passado, a EMTU/SP aumentou o número de viagens das linhas 934, 934EX1 para Santos e Avenida Conselheiro Nébias. As linhas 906 e 936 tiveram aumento de partidas em Cubatão bairros Cota e Fabril para Santos. Também foram readequadas as linhas 918 e 919, atendendo ao Jardim Caraguatá, Jardim Casqueiro e Bolsões.
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A segurança dos passageiros e a velocidade dos coletivos também são monitoradas pela fiscalização da EMTU/SP. Todos os ônibus possuem mecanismos que regulam a velocidade máxima e que o tacógrafo, equipamento que registra a velocidade e está presente em todos os ônibus gerenciados pela EMTU/SP, mostra se o operador ultrapassou a velocidade permitida nas ruas, avenidas ou rodovias por onde circula.
As principais reclamações dos usuários estão relacionadas a atrasos, descumprimento de partidas, comportamento dos motoristas e cobradores e falta de respeito ao sinal de parada. A empresa acrescenta que os usuários podem contribuir para o gerenciamento do sistema e garantia da qualidade dos serviços prestados, fazendo sugestões e reclamações na Central de Atendimento ao Cliente 0800 724 0555, que funciona de segunda a sexta–feira, das 7 às 19 horas, por meio do site www.emtu.sp.gov.br, ou nos terminais da EMTU/SP. Para identificação do condutor é importante informar o prefixo do ônibus, data e horário da ocorrência.
Piracicabana
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A Viação Piracicabana conta com uma frota de 440 veículos no sistema intermunicipal, que atende as cidades de Santos, São Vicente, Praia Grande, Cubatão, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe e 1700 motoristas para atender a região. A empresa conta com uma Central de Atendimento ao Passageiro (CAP) e Ouvidoria para dúvidas, informações, sugestões, reclamações e elogios dos usuários. As solicitações/reclamações são registradas, e após análise do ocorrido com os setores ou áreas responsáveis pelo problema, as reclamações são respondidas aos clientes com a resolução de cada caso. Este contato é feito por telefone, e-mail ou ainda pelo próprio site.
Conforme registros da Ouvidoria, as reclamações mais frequentes estão relacionadas à postura de atendimento de funcionários e operacionalidade das linhas.
Com relação à atrasos nas linhas ou abuso de motoristas, ou ainda qualquer outro tipo de reclamação, o usuário pode registrar uma reclamação no CAP, conforme procedimento já comentado acima. É importante informar que o usuário deve anotar a linha e prefixo do ônibus, bem como o horário e local onde embarcou, para facilitar o acesso e controle das informações.
Todos os motoristas passam constantemente por treinamento, onde são abordados temas como a segurança no embarque de passageiros, com foco nos casos de idosos e pessoas com deficiência, técnicas de direção defensiva e trânsito.
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Com relação ao atraso nas linhas por consequência dos congestionamentos nas cidades, inclusive nas linhas de Cubatão, a empresa trabalha para administrar estas ocorrências, de modo que o atraso não prejudique os passageiros. “Nestes dias, alguns itinerários são remanejados, de acordo com as condições de tráfego das vias, porém a empresa não tem como prever este tipo de situação, mas está preparada para agir da melhor forma”, explica.