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Francisco está no Rio, é o bispo de Roma, mas nesta quinta-feira, 25, por alguns minutos, voltou ao posto de cardeal de Buenos Aires diante de 5 mil jovens argentinos, na Catedral do Rio, e com mais 30 mil amontoados pelas ruas do centro. No improviso, pediu uma Igreja "barulhenta" que "saia às ruas". No fim, desabafou a alguns conterrâneos: "Que feio é estar enjaulado. Eu às vezes me sinto assim. Gostaria de estar perto de vocês".
É a primeira vez, desde que foi eleito papa em março deste ano, que Francisco fica tão perto de Buenos Aires. Ele não havia deixado a Europa e não encontrara tantos conterrâneos num só lugar. O evento foi um pedido seu.
Enfático, o sumo pontífice repetiu o que já declarou em Roma e insistiu que a Igreja não pode ser apenas uma ONG. "Espero uma confusão na Jornada Mundial da Juventude, mas quero confusão e agito nas dioceses, que vocês saiam às ruas. Quero que a Igreja vá para as ruas. Quero que nos defendamos de tudo que seja acomodação e ficar fechado em torno de nós mesmos. As paróquias devem sair às ruas. Senão, acabam se transformando numa ONG. E a Igreja não pode ser uma ONG", declarou. "Não podemos esvaziar a fé", disse.
Outro pedido do santo padre foi para que nem jovens nem velhos sejam excluídos da sociedade contemporânea.
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O papa se surpreendeu com o número de argentinos. "A maioria dos jovens passou a noite toda aqui. E a maior parte permanece do lado de fora. Essa juventude vai ajudar a construir um mundo mais fraterno. Eles querem receber o espírito do Santo Cristo.
Muito obrigado pelos que estão aqui e pelos que estão lá fora", disse Francisco.
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O público não escondia a emoção. O padre Claudio Pisano, de Buenos Aires, ressaltou que o papa usou expressões argentinas. "São palavras muito próprias dele. A ideia é que a Igreja chame atenção para si de forma alegre", disse o padre, ordenado em 2002 por Bergoglio.
A contadora Lorena Chagas, de 26 anos, e o professor de música Nicolás Marin, de 28, foram os eleitos para levar a Francisco a Cruz de São Damião, abençoada pelo pontífice. Coordenadores nacionais da Pastoral da Juventude da Argentina, eles contaram que a cruz, um símbolo franciscano também chamado de Cruz de São Francisco de Assis, será levada às periferias de seu país.
Longa fila
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A espera dos fiéis argentinos começou ainda na noite de quarta-feira. Por volta das 19 horas, os grupos já formavam filas e enfrentaram frio de 12°C. "Foi muito sacrifício, mas toda espera valeu", disse Cristina Ferreira, de 37 anos.
A movimentação dos peregrinos chamou a atenção de Eliana Santos, de 40 anos, que mora em um prédio ao lado da igreja. "Quando vi a quantidade de gente na chuva, me enchi de alegria pela fé daquelas pessoas", disse. Ela ofereceu café, chá, pão de queijo e broa aos peregrinos.
Muitos que pernoitaram na fila não conseguiram entrar. "Cheguei às 23 horas, mas não consegui. Não fico decepcionada, pois o objetivo é a unidade da fé e a felicidade que as bênçãos do papa dá a todos, mesmo a quem não o vê", disse a argentina Rocio Solinas.
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