O cargo em comissão exercido por Pádua Andrade em Santos faria parte de uma espécie de cota do MDB / Jefferson Rudy/Agência Senado
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Antônio de Pádua de Deus Andrade, o diretor do Porto de Santos que firmou o contrato com um homem morto há 48 dias, é afilhado político do ex-presidente Michel Temer. O documento, firmado em 6 novembro de 2023 junto a Autoridade Portuária de Santos (APS), previa o repasse de até R$ 13 milhões a Pedro Paulo Val de Sousa Filho e a outros três proprietários de um terreno localizado no Morro do Tejereba, no Guarujá.
O detalhe é que o Termo de Compromisso e Locação número 028/2023 foi assinado exatos 48 dias após a morte de Sousa Filho. E mais: o documento previa o pagamento de um valor mensal que pode estar superfaturado em até 787,65%.
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O imóvel que a APS pretende alugar tem 188,26 quadrados e deverá abrigar quatro antenas do futuro Sistema de Gerenciamento e Informação do Tráfego de Embarcações (VTMIS, na sigla em inglês).
O processo de implantação do VTMIS foi conduzido pela Diretoria de Operações (Diope) da Autoridade Portuária.
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À época da assinatura do Termo de Compromisso e Locação, em 6 de novembro de 2023, a Diope era comandada por Antônio de Pádua de Deus Andrade.
Experiente, o então diretor de Operações da Autoridade Portuária é filiado ao MDB e foi ministro da Integração Nacional de abril de 2018 até o final do mandato do ex-presidente Michel Temer.
Antes, entre 2017 e 2018, Pádua Andrade, como é conhecido no meio político, foi secretário nacional de Infraestrutura Hídrica. Mas a carreira em cargos comissionados é extensa e inclui uma passagem anterior pelo Porto de Santos, em 2016.
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O cargo em comissão exercido por Pádua Andrade em Santos faria parte de uma espécie de cota do MDB, partido que compõe a base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta cota, teriam sido acomodados afilhados políticos de Temer e do senador Alexandre Giordano (MDB/SP).
Pádua Andrade é nascido no Piauí, mas integra o grupo político liderado pelo senador Jáder Barbalho e por seu filho, o governador Helder Barbalho, ambos do MDB do Pará.
Em 2018, o economista Mário Ramos Ribeiro deixou o Ministério da Integração Nacional para denunciar o então ministro Pádua Andrade por supostamente acobertar um sistema de fraudes em contratos de Tecnologia da Informação no Ministério.
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Segundo o denunciante, ele teria alertado seus superiores sobre o perigo de tal atuação, que supostamente acobertava um esquema milionário de irregularidades.