Homens retiram objetos pessoais em meio aos destroços após incêndio na Vila Soco, em Cubatão / Foto: Matuiti Mayezo/Folhapress/25/02/1984
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No último dia 25 ocorreu mais um aniversário da maior tragédia de Cubatão: a da Vila Socó, cujo fantasma permanece por 41 anos assombrando o Município. A Comissão da Memória, Verdade e Justiça às Vítimas do Incêndio da Vila Socó (CVMVJ) da OAB de Cubatão divulgou a agenda para este ano, que inclui o protocolo de requerimento de anistia coletiva junto à Comissão da Anistia do Ministério dos Direitos Humanos. Também pedido de inclusão das vítimas transformadas em cinzas, na lista de mortos e desaparecidos do período da ditadura militar.
O advogado André Louro, presidente da Comissão da OAB, constituída em 2014, e formada ainda pelos advogados Dojival Vieira e Luiz Marcelo Moreira, relembrou o trabalho dos seus membros, afirmando que a luta em busca de elementos para comprovar os números reais de pessoas vitimadas ainda continua. Segundo afirmam, morreram de 508 a 800 pessoas, ao contrário dos 93 mortos oficiais.
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“Lembrar é sempre importante, mas precisamos entender a história que é contada e o que aconteceu de fato. Nós devemos isso às vítimas ainda não contabilizadas, que não entraram nos números oficiais até agora. Elas tinham uma certidão de nascimento, elas existiram. É isso que precisamos descobrir: quantas mais foram e quem eram elas. Quem sabe um dia ainda descobriremos a realidade dos fatos. Por isso, o nosso trabalho e nossa luta não podem parar”, disse Louro.
A agenda inclui a continuidade das articulações já iniciadas junto à Câmara Municipal, para apresentação de Projeto de Lei que propõe a criação do Feriado Municipal de 25 de fevereiro – o Dia da Memória. Também a criação de uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para dar continuidade as investigações visando a apuração do número real de vítimas fatais, bem como de feridos, a fiscalização e cobrança de transparência por parte da Petrobras em relação ao mapeamento das linhas de transporte de combustíveis que, continuam a cortar a cidade, sem qualquer informação a comunidade.
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Outra proposta é a construção de Memorial às Vítimas – um espaço para a reflexão - e que, ao mesmo tempo, seja um lugar para guarda de documentos históricos para consultas de interessados, livros e teses que vem sendo produzidas ao longo das quatro décadas.
Seria uma sala de audiovisual, biblioteca, documentos e arquivos que torne permanente a reverência a memória às vítimas do incêndio. Para isso, a Comissão decidiu que todos os meses haverá uma audiência pública para ouvir depoimentos de personagens ainda vivas.