Para salvar Bolsonaro, o Partido Liberal (PL) quer obstruir os trabalhos na Câmara dos Deputados / Agência Brasil
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O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) réu em processo criminal que mal começou, mas está em curso o Projeto de Lei (PL) da Anistia mesmo antes da condenação e sabendo-se que a Constituição prevê que crimes contra a ordem constitucional e a democracia são inafiançáveis e imprescritíveis, portanto, não cabe anistia.
Para salvar Bolsonaro, o Partido Liberal (PL) quer obstruir os trabalhos na Câmara dos Deputados. A bancada se recusa a votar propostas que envolvem o cotidiano de quase 215 milhões da brasileiros para ‘salvar a pele’ de um cidadão, numa demonstração clara de tentativa de interferência do Legislativo no terceiro poder da República, o Judiciário.
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Segundo consta nos autos do processo criminal, Bolsonaro e mais sete (primeiro grupo) são acusados de Golpe de Estado; Abolição violenta do Estado Democrático de Direito; Organização criminosa; Dano qualificado ao patrimônio da União e Deterioração de patrimônio tombado.
Cinco crimes cujas penas somadas superam 40 anos. Eles teriam, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), formado uma organização criminosa estável, com divisão de tarefas, para promover a ruptura democrática. Bolsonaro não alega inocência. Ao contrário, pede anistia reconhecendo que os cometeu.
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Enquanto a Câmara ameaça parar e a defesa dos acusados tenta defendê-los, o ex-presidente, mesmo diante de um processo de centenas de páginas e dezenas de provas, continua alimentando viúvas da Ditadura, atacando o sistema eleitoral brasileiro que o elegeu (elogiado até por Donald Trump) e o STF, criando narrativas sem provas que só existe em sua cabeça, como fez durante quatro anos e que podem prejudica-o ainda mais.
Ele se contradiz o tempo todo. Numa delas, para desgosto de seus advogados, disse que não teve golpe. Em outra, que teve golpe, mas não sabia. Depois, que sabia, mas não participou. Ainda um pouco mais tarde, disse que participou, mas não teve violência e, na sequência, que teve violência, mas não teve arma. Por fim, que teve armas, mas não foram usadas.
Sobre a minuta de golpe, que serviria como guia para o início do fim da democracia brasileira, Bolsonaro alega que ela não existiu. Depois, disse que não a viu e em outra declaração, que viu a minuta, mas só queria saber o que era, como se o documento fosse um recibo de restaurante ou uma conta de energia elétrica.
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Em sua próxima manifestação pública, deve apelar para o Estatuto do Idoso. Depois de chorar com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em entrevista, ao ser perguntado se sua eventual prisão significaria o fim da sua carreira política, disse: "é o fim da minha vida. Eu já estou com 70 anos".