A situação do planeta está ficando cada vez pior. Quando o juízo foge, o caos se aproxima. Uma pena que os potenciais salvadores da Terra estejam interessados em prosseguir na sua vidinha em busca de lucros, a explorar seus negócios, a ridicularizar quem – para eles – é catastrofista.
Um país como o Brasil, que tem mais faculdades de direito do que a soma de todas as demais, espalhadas pelo mundo, que tem mais celulares do que população, assim como tem mais gado do que gente, é um exemplo de como a insensatez pode preponderar sobre qualquer resquício de racionalidade com que se pudesse contar.
Somente almas sensíveis se apropriam da realidade aflitiva. É angustiante saber que deixar de lado a descarbonização significa entregar-se ao suicídio. Que descumprir o Protocolo de Paris é acelerar a marcha rumo à tragédia. Que a insistência em explorar petróleo na foz do Amazonas é de uma incongruência que faz o país permanecer na mísera condição de “Pária Ambiental”.
O cineasta Bong Joon Ho, que há seis anos ganhou o primeiro Oscar destinado a um filme estrangeiro, com “Parasita”, produziu agora uma outra película em que procura mostrar a insanidade que habita a mente dos extremistas. O filme é “Mickey 17” e conta a história de um candidato bilionário a presidente de um grande país que perde a eleição e que prefere partir com os seus comparsas rumo a outro planeta. É, para ele, a solução, em lugar de enfrentar os ecologistas que fazem anúncios apocalípticos.
O diretor sul-coreano tenta mostrar o que está acontecendo: “nunca houve uma espécie que destruísse o planeta tão rapidamente quanto o ser humano. Temos países deixando o Acordo de Paris, o que é trágico”.
Infelizmente, quem deveria assistir a “Mickey 17” não assistirá. Se por acaso assistir, não vai entender. A coisa está ficando feia. Mas, na verdade, não é para o planeta, que vai continuar a existir. Só que ele dispensará a presença dos humanos e de outras espécies viventes.
Quem viver, verá. Será que ainda há tempo para se converter e ouvir a voz da razão