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Daniel Craig mostra em 'Queer' que merece estar no Oscar

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O cineasta Luca Guadagnino é conhecido por retratar com toques de humor e drama, idas e vindas dos relacionamentos amorosos, independente do sexo. Foi assim em "Me Chame Pelo Seu Nome", "Rivais" e mais agora em "Queer".

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Em sua estreia no Festival de Veneza, ficou nítido que este era o grande papel na carreira de Daniel Craig, depois de deixar o manto de James Bond. Coincidentemente, este também se tratava de um projeto pessoal para o próprio Guadagnino, já que ele o queria tirar do papel há quase 20 anos.

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Baseado no livro autobiográfico de William S. Burroughs, aqui interpretado por Craig, o mostra em um cenário de autodepreciação por um bairro mexicano. Eis que ele encontra uma esperança ao se apaixonar pelo misterioso jovem Eugene (Drew Starkey).

Ao som de "Come as You Are", do Nirvana, já em seu prólogo fica perceptível que não veríamos um galã sedutor atrás de um Martini em um bar. William é um homem depressivo, tímido e retraído, e passa a mudar seu semblante ao conviver com Eugene.

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Nesta retratação, Craig realmente tem uma das melhores interpretações na carreira, e que pode lhe dar sua primeira e merecida indicação ao Oscar. Sua voz vergonhosa e retida, agregada a feições receosas, demonstram o quão ele estudou William e estava disposto a transparecer sua vivência ao espectador.

É neste quesito que entra o roteiro de Justin Kuritzkes (também responsável pelo texto de "Rivais"), pois ele não desenha e explica exaustivamente as informações para o público, mas sim a pressupõe.

Um exemplo é a sequência onde William resolve tomar coragem para puxar assunto com Eugene, em um bar. Vemos o quão o primeiro está tímido, ansioso e com medo da rejeição, como um adolescente. Ao mesmo tempo, o segundo está tranquilo, e focado no diálogo com uma amiga.

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Neste cenário, já conseguimos traçar o perfil dos dois personagens durante boa parte da metragem, e como eles irão estabelecer sua conexão com o espectador.

Mesmo com Starkey sendo apenas operante, quem consegue brevemente roubar a cena (e está irreconhecível), é Jason Schwartzman ("Três é Demais"). Intérprete de Joe, melhor amigo de William, sua inserção funciona bem como um alívio cômico na maioria das cenas do bar (visto que 30% do filme se passa nele).

Assim como no drama estrelado por Timothée Chalamet, Guadagnino tem um visual focado nas casas, ruas e um design que remete mesmo a um México dos anos 40, mesmo sendo filmado em Roma, na Itália e em Quito, no Equador.

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Além de usufruir, e muito do excesso de cores vermelho e azul, que representam a paixão e virilidade dos protagonistas.

"Queer" é mais uma obra de Guadagnino que deve ser absorvida, sentida e refletida, tamanho impacto que ela causa em seu espectador.

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